O câncer de cabeça e pescoço é uma denominação de um grupo grande de cânceres que acometem a região descrita. Esses tumores são mais comuns no sexo masculino, sendo mais prevalentes em idades superiores à 55 anos. Alguns dos exemplos que compõem este grupo são: câncer de língua, de amígdalas, de laringe (região que contêm as nossas pregas vocais), palato duro e mole (conhecido popularmente como o céu da boca), de tireóide e o de glândulas salivares.

Em alguns pontos do nosso grande país, já existem dados que mostram que o câncer de boca e de laringe já é o segundo mais prevalente entre os homens, perdendo apenas para o câncer de próstata. E nas mulheres, que têm o câncer de tireóide sendo o representante mais comum, ele ocupa a quinta posição, atrás de tumores como o de mama e o de colo uterino!

Atualmente, os principais causadores deste tipo de câncer em nossa sociedade são o hábito de fumar e o de beber. Mais de 80% dos cânceres de cabeça e pescoço diagnosticados têm como origem os efeitos tóxicos e agressivos do tabaco e do álcool em nosso organismo! Contudo, não são apenas esses fatores que podem causar esses tumores; atualmente, sabemos da importância crescente da infecção pelo vírus HPV no surgimento desses cânceres!

O HPV, conhecido como papiloma vírus humano, é um vírus sexualmente transmissível, que tem grande importância no sexo feminino ao gerar o câncer de colo de útero. Mas, por meio de práticas como sexo oral, esse vírus tem cada vez mais se adaptado aos tecidos da nossa região oral, e promovido uma proliferação acelerada de células e de inflamação no local, criando um foco formador de câncer!

Um dos maiores desafios neste tema dos cânceres de cabeça e pescoço, é que infelizmente o seu diagnóstico tende a ser muito tardio, em uma fase em que o tumor já se desenvolveu e tem uma chance de cura um tanto quanto menor. Esse cenário se deve em sua maioria aos sintomas inespecíficos e não alarmantes destes cânceres, fazendo com que o paciente demore a procurar um auxílio médico. Os principais sintomas são:

Aftas e ulcerações que demoram mais que duas semanas para cicatrizar;

Dores na região da boca e da garganta que são persistentes;

Rouquidão que perdura por mais do que duas semanas;

Nódulos (caroços e ínguas) no pescoço;

Perda de peso inexplicada e perda do apetite;

Dificuldade de engolir alimentos sólidos ou líquidos.

Na presença de qualquer um destes sinais e sintomas, não hesite em procurar um auxílio médico mais próximo de você. O diagnóstico precoce e o seu devido tratamento permite ao paciente uma melhor qualidade de vida e uma maior chance do procedimento ser curativo!

A partir da suspeita clínica, ou seja, por meio dos sinais e dos sintomas que o paciente possa ter, o médico irá solicitar uma investigação mais aprofundada para encontrar o local em que o câncer está. A simples e bem feita avaliação da cavidade oral do paciente em um consultório, já é capaz de evidenciar muitos cânceres de cabeça e pescoço, como, por exemplo, os cânceres de língua e de palato.

Ao encontrar o local em que o câncer está, uma biópsia será feita para de fato avaliar o tipo de tumor que o paciente pode ter. A biópsia nada mais é do que retirar um pequeno fragmento da lesão tumoral para que ela seja analisada em um laboratório e, se for o caso, confirmar o diagnóstico de um câncer. Se ele de fato for confirmado, o profissional da saúde irá solicitar tomografias do corpo do paciente, para ver se o tumor descoberto não gerou nenhuma metástase (tumor que se espalhou) à distância!

O tratamento de um tumor de cabeça e pescoço vai variar de acordo com seu estágio ao ser diagnosticado, ou seja, se ele é localizado, localmente avançado ou metastático. De forma geral, o tratamento de escolha para estes pacientes é a cirurgia, que é muito mais efetiva se o câncer for diagnosticado precocemente, visto que o paciente pode ter a lesão retirada e ficar curado!

Contudo, naqueles pacientes que já se apresentam ao diagnóstico com lesões localmente avançadas, por exemplo, uma lesão na língua que invade a laringe (a área das nossas pregas vocais), esse paciente vai precisar além do tratamento cirúrgico, de uma combinação de radioterapia e quimioterapia, à depender do tipo de câncer.

Referência:Sociedade Brasileira de Câncer de Cabeça e Pescoço

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