A indicação para o uso de suplementação nutricional é bastante específica. A quantidade de micronutrientes necessária para cada indivíduo depende de vários fatores, como sexo, idade, nível de atividade física, presença de patologias, entre outros. Em geral, não há necessidade de se fazer suplementação de qualquer nutriente quando se tem uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis. Como consta em sua definição, suplementos vitamínicos e/ou minerais são indicados somente para pessoas que necessitem complementar a dieta caso a ingestão não seja suficiente, já que a carência de nutrientes pode levar ao desenvolvimento de doenças.
Contudo, sua ingestão excessiva, principalmente das vitaminas lipossolúveis (solúveis em gordura e precisam dessa gordura para serem absorvidas), tais como vitaminas A, D, E e K, pode trazer consequências à saúde, causando diversos problemas, como danos hepáticos, descamação na pele, enxaqueca e vômito.
Um exemplo notório do uso indiscriminado de suplementos são os relatos de casos de intoxicação por excesso de vitamina D, principalmente em crianças. Há relatos de erro do fabricante na formulação e na recomendação de ingestão, resultando em hipercalcemia e sintomas como náusea, poliúria e fadiga após consumirem uma quantidade superior à dose recomendada. Podem ainda levar a manifestações neuropsiquiátricas (confusão, psicose, estupor ou coma), cardiovasculares (complicações com o intervalo QT, elevação do segmento ST, bradiarritmias) ou gastrointestinais (dor abdominal, náuseas, polidipsia, anorexia e constipação).
Outro exemplo de eventos adversos advindos de suplementos referem-se ao Ácido Ascórbico, também conhecido como vitaminas C. A suplementação com vitamina C é controversa, sendo descrito tanto o seu efeito antioxidante, como o pró-oxidante. Determinados grupos de pessoas mostram-se mais suscetíveis à toxicidade e aos danos da vitamina C, podendo apresentar incidência de cálculos renais e interferência na função plaquetária.
Também é relevante o uso indiscriminado da vitamina A. A hipervitaminose A pode apresentar sintomas agudos, crônicos e teratogênicos. Entre os agudos, destaca-se a visão embaçada, perda de apetite, pigmentação anormal da pele, perda de cabelo e pêlos, pele seca e dor nos ossos. Pode causar ainda hepatite com necrose celular e icterícia, além de estar associada com a carotenemia (aumento dos níveis de betacaroteno no sangue).
É importante destacar algumas situações em que os suplementos podem se tornar tóxicos ao nosso organismo:
Suplementos podem acumular em certos tecidos – as substâncias lipofílicas, por exemplo, acumulam-se no tecido adiposo e no fígado, enquanto as hidrofílicas são armazenadas em órgãos como os rins e o fígado – com efeitos prejudiciais a longo prazo.
Excesso de suplemento pode ser metabolizado em substâncias tóxicas. Isso é especialmente importante para as substâncias que se acumulam no fígado.
Suplementos podem interagir com outras substâncias presentes no organismo. É bem conhecido que algumas vitaminas interagem com medicamentos, reduzindo e/ou potencializando sua atividade, o que pode ser prejudicial para a saúde.
Por esses motivos, os suplementos nutricionais devem ser sempre consumidos nas doses indicadas, com base em recomendação de profissionais de saúde e pautado em métodos científicos.
Confira, abaixo, a lista dos principais suplementos alimentares:
Polivitamínicos: suplemento alimentar que contém diversas vitaminas, como vitamina C, vitamina A e vitaminas do complexo B. Além disso, muitos polivitamínicos também são compostos por minerais ou outros compostos que são indicados com o objetivo de combater as deficiências nutricionais.
Ômega-3: os ácidos graxos ômega-3 são excelentes para a melhora do sistema imunológico, previnem doenças cardiovasculares, garantem o bom funcionamento do cérebro e ainda auxiliam na performance durante atividades físicas, elevando a potência aeróbica e a força muscular. Os peixes de águas frias, como salmão, e a semente de linhaça são as melhores fontes da substância, mas também pode ser encontrada em cápsulas como suplementos.
Vitamina D: tem como principal função auxiliar a absorção do cálcio pelos ossos, regulando o metabolismo ósseo e as quantidades adequadas de cálcio e fósforo circulantes no sangue. Também fortalece o sistema imunológico, desempenha importante papel na saúde vascular e previne o envelhecimento precoce.
Zinco Quelado: mineral com papel fundamental no bom funcionamento do organismo. O Zinco atua no funcionamento do sistema imunológico e reprodutor, no metabolismo das proteínas e carboidratos.
Picolinato de cromo: ajuda a manter níveis adequados de glicemia durante o treino uma vez que modula a secreção de insulina.
Whey Protein: proteína de rápida absorção que resulta em fortalecimento dos músculos e também no ganho de massa muscular. Oferece várias versões, como:
Whey Isolado: É um suplemento obtido a partir do soro do leite, possui um alto valor biológico e pequena quantidade ou até ausência de carboidratos e gordura.
Whey Hidrolisado: passa por um processo chamado hidrólise em que as cadeias de proteína são quebradas em segmentos ainda menores, chamados peptídeos, garantindo maior velocidade de absorção.
Whey Concentrado: Fabricado pela técnica de ultra filtragem, esse tipo segura moléculas grandes de proteína e contém gordura e lactose. Sua capacidade de absorção é um pouco mais lenta, e pode ser absorvido no máximo em 80% pelo nosso organismo.
Whey Vegano: É composto por proteínas vegetais para atender um público que não consome proteína animal ou possuem alguma alergia alimentar. Também é uma proteína de alto valor nutricional e boa digestibilidade.
BCAA: suplemento composto pelos aminoácidos leucina, isoleucina e valina, que estão presentes em 19% das nossas proteínas musculares. Como os BCAAs são metabolizados nos músculos, e não no fígado, eles podem fornecer energia durante o exercício prolongado.
Glutamina: constituída por aminoácidos não essenciais, beneficiam o transporte de nitrogênio até os músculos. O aminoácido também exerce um papel importante no sistema imunológico.
Creatina: pode ser obtida por meio de consumo de peixe e carne vermelha, mas a suplementação provoca um aumento de até 20% nas concentrações de creatina muscular, potencializando a performance durante a atividade física. De forma geral, o produto aumenta a força muscular, proporcionando treinos mais intensos e ajudando no ganho de massa muscular.
Com informações: blog.saude.mg.gov.br
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