O luto pode aumentar em até 21 vezes o risco de infarto agudo do miocárdio. A conclusão foi apresentada na pesquisa Risk of acute myocardial infarction after the death of a significant person in one's life: the Determinants of Myocardial Infarction Onset Study, que foi divulgada pelo periódico científico Circulation, um dos mais respeitados na área de Cardiologia. A análise foi baseada em uma amostra de 1985 pacientes e o aumento do risco é notado nas primeiras 24 horas após o falecimento de um parente e/ou cônjuge.
Não significa dizer que o infarto agudo do miocárdio acontecerá, mas indica que entre os pacientes, principalmente aqueles com alto risco para doenças cardíacas, uma ‘vigilância’ deve ser feita nos primeiros dias que seguem o falecimento.
Há algum tempo, os fatores de risco psicossociais têm sido relacionados à maior incidência de doença cardiovascular. Esses fatores englobam aspectos como o estresse, questões conjugais, renda, trabalho entre outros. O estresse pode incidir de forma crônica, quando associado a fatores cotidianos como trânsito, violência urbana, etc, ou pode ocorrer de maneira aguda e intensa.
No indivíduo que vive o luto, o risco crônico de infarto e outras doenças do coração ocorre, entre outros fatores, em decorrência da desmotivação para adoção de hábitos saudáveis, como o de assumir uma dieta equilibrada, praticar exercícios físicos. O enlutado perde, por algum tempo, a vontade de se cuidar, tomar remédios de forma correta, de fazer check-ups ou de procurar atenção médica quando um novo sintoma aparece.
Existe também o risco de doenças do coração que incidem de forma hiperaguda. Estão relacionadas, em muitos casos, à suspensão temporária do uso de remédios (os pacientes enlutados esquecem de tomar os remédios que deveriam ser de uso contínuo). Além disso, as emoções intensas e agudas levam a ativação exacerbada do sistema nervoso simpático, com a liberação de catecolaminas em altas doses (adrenalina, noradrenalina).
Em excesso no organismo, as catecolaminas potencializam danos cardíacos. Os principais são: a obstrução de vasos sanguíneos (infarto agudo do miocárdio) e a “síndrome do coração partido”.
A síndrome se caracteriza por uma alteração aguda e transitória da função cardíaca, com acometimento do músculo do coração. Clinicamente se manifesta como dor precordial (torácica), alterações agudas do eletrocardiograma, das enzimas cardíacas e da capacidade de contração do miocárdio.
Muitas vezes a síndrome é confundida com o próprio infarto do miocárdio, mas diferente desse, a causa primária não tem ligação com as coronárias. As causas, segundo o pesquisador, não são completamente conhecidas.
Com informações: Hospital Albert Einstein