A úlcera é uma ferida que pode aparecer em muitas partes do organismo. Porém, quando se fala nela, normalmente, as pessoas pensam na úlcera gástrica, também conhecida como úlcera péptica, que costuma ocorrer no estômago, no duodeno ou no esôfago.

Para digerir os alimentos, o estômago produz uma série de ácidos. Em situações normais, eles atuam apenas sobre os alimentos, mas em alguns casos, agem sobre o trato digestivo, ferindo a parede estomacal e do duodeno.

Há pessoas que são mais suscetíveis às doenças do estômago e podem ter uma gastrite que evolui para úlcera se não tratada adequadamente. Entretanto, a maioria das pessoas que tem gastrite permanece com gastrites crônicas que vão e voltam, mas não evoluem nunca. Por outro lado, existem pessoas que nunca tiveram gastrite e sofrem com úlcera no estômago.

Pesquisas epidemiológicos mostraram que as úlceras podem atingir diferentes grupos étnicos, independentemente da idade, do sexo ou da ocupação profissional.

Causas
• Histórico familiar – fatores genéticos podem justificar o aparecimento de úlceras pépticas;
• Bactéria Helicobacter pylori – esse micro-organismo pode atacar a parede estomacal de pessoas com predisposição para a doença. Erradicada a infecção, a úlcera tende a desaparecer;
• Aspirina e anti-inflamatórios: o uso constante desses medicamentos pode provocar o aparecimento de úlceras;
• Estresse: o estresse, além de outros efeitos prejudiciais, pode estimular a secreção de ácidos que atacam o revestimento do estômago e do duodeno.

Diagnóstico
O principal exame para diagnosticar úlceras é a endoscopia, exame realizado sob sedação que permite visualizar diretamente o esôfago, o estômago e o duodeno. Raios X e análise dos ácidos gástricos são métodos úteis em certos casos, mas pouco empregados atualmente.

Sintomas
• Sensação de dor ou queimação na área entre o esterno e o umbigo que se manifesta especialmente com o estômago vazio, pois a ausência de alimentos para digerir permite que os ácidos irritem a ferida;
• Dor que desperta o paciente à noite e tende a desaparecer com a ingestão de alimentos ou antiácidos;
• Dor característica da úlcera do duodeno que desaparece com a alimentação reaparecendo depois
• Vômitos com sinais de sangue;
• Fezes escurecidas ou avermelhadas que indicam a presença de sangue.

Recomendações
• Anos atrás, se acreditava que uma dieta leve, à base de leite, com pouca fibra e poucos temperos, era eficiente para o controle da úlcera. Atualmente está provado que essa indicação não procede. No entanto, se você tem úlcera ou predisposição para desenvolvê-la, alguns cuidados podem ajudá-lo a controlar as crises:
• Não fume. Fumantes estão mais propensos a desenvolver úlceras;
• Faça refeições menores, mais leves e mais próximas umas das outras. Isso ajuda a diminuir a dor e a queimação;
• Evite chá, café, refrigerantes e bebidas alcoólicas, substâncias que estimulam a produção de ácidos;
• Suspenda o uso de aspirina e anti-inflamatórios. Converse com seu médico que irá indicar medicamentos menos prejudiciais à mucosa estomacal, antiácidos que podem ajudar a diminuir os sintomas ou antibióticos, no caso de infecção por Helicobacter pylori;
• Procure controlar, na medida do possível, o nível de estresse a que está exposto.

Advertência
Não se automedique. Procure imediatamente assistência médica: Se notar presença de sangue no vômito ou nas fezes e caso sentir dor abdominal repentina e incessante, sinal de que a úlcera pode ter perfurado a parede estomacal ou do duodeno.