Um desconforto na região do estômago, que se assemelha a uma cólica e, em casos mais específicos, pode causar enjôos e vômitos. A digestão dos alimentos, da mesma forma, parece acontecer de forma mais lenta e mais difícil. Os sintomas descritos, por vezes confundidos com gastrite ou indispição, podem ser na realidade um alerta para o surgimento das chamadas pedras na vesícula - um órgão que ajuda a concentrar a bile produzida pelo fígado, cuja função é agir como um detergente de gordura.
As pedras, ou litíases, se formam quando há um desequilíbrio na bile, que forma cristais e se calcifica. A função da bile, excretada pelo fígado e composta de colesterol e sais biliares e bilirrubina, é ajudar na digestão, principalmente de alimentos gordurosos. Quando há excesso de algum desses fatores eles se depositam na vesícula e com o passar do tempo ocorre a formação dos cálculos.
A bile emulsifica a gordura para que a gente possa absorvê-la. Nossos hábitos alteram a bile. Alterando o balanço entre os solutos, há o desequilíbrio, a cristalização e formação de pedras, que podem ser de colesterol ou mistas”,. Os sais biliares ou colesterol ficam solúveis dentro da vesícula desde que preservado o ambiente ideal. Quando há a ingestão de um alimento mais pesado, no entanto, há maior excreção a fim de facilitar a digestão, o que causa desequilíbrio.
O tratamento mais eficaz para o problema de pedras na vesícula é a cirurgia, afirmam os especialistas. Vesícula que forma cálculo é vesícula doente e, por isso, deve ser removida. A doença não são as pedras, mas a vesícula em si. Pelo risco potencial, é indicado a cirurgia. É essencial que a condição seja tratada, pois pode levar a quadros mais complicados como a colecistite aguda (inflamação da vesícula que exige cirurgia de emergência) ou ainda ao desenvolvimento da pancreatite (inflamação do pâncreas, que pode ser causada pelo deslocamento de uma das pedras e o consequente comprometimento da comunicação deste órgão com o intestino).
Atualmente, a cirurgia de remoção desse órgão pode ser feita por via laparoscopia, ou seja, por meio de três ou quatro incisões de meio ou um centímetro, nas quais são inseridos os materiais de trabalho do cirurgião e uma câmera que transmite imagens. O procedimento leva de 40 minutos a uma hora e tem inúmeras vantagens em relação à cirurgia aberta. A primeira delas é a recuperação do paciente, muito mais rápida. Em poucos dias a pessoa pode voltar às atividades normais. Como o procedimento é mais simples, conseguimos operar e resolver o problema precocemente, evitando possíveis complicações. As pessoas não fogem da cirurgia, que tem risco baixo.
A dor pós-operatória também é menor, devido ao tamanho do corte e natureza do procedimento. Em alguns casos, o paciente pode até ter alta no mesmo dia. Alguns médicos recomendam dieta leve nos primeiros dias após a cirurgia e evitar comidas gordurosas nos 15 dias após a cirurgia. Depois disso o paciente terá vida normal, sem precisar se privar de nenhum alimento ou seguir alguma dieta específica.
Embora possa acometer todas as faixas etárias e sexos, a pedra na vesícula costuma ser mais prevalente em mulheres (devido às variações hormonais) e entre 35 e 65 anos. No entanto, pessoas acima do peso, com colesterol alto, sedentários, mulheres com mais de uma gestação ou que façam uso de hormônios estão mais predispostos a apresentarem o problema, já que todas essas condições podem prejudicar o funcionamento do órgão. Pessoas com casos na família também devem ficar atentas, devido ao forte componente genético da doença.
Os médicos alertam, contudo, que grande parte dos casos é assintomático ou o mal estar parece controlável e passageiro, sendo ignorado. Por isso, é recomendável que seja feito o controle da doença por meio de um exame de rotina. A ultrassonografia do abdome é a mais indicada para a verificação da região. “Eu indicaria a ultrassonografia de abdome periódica, como check-up, para detectar alguma alteração. Se localizada, procurar um cirurgião para definir a melhor técnica e o melhor momento”, aconselha o médico.
Remédios
Existem no mercado remédios para a dissolução dos cálculos na vesícula. No entanto, esse tipo de abordagem não é recomendada pelos médicos, tendo em vista a eficácia desses medicamentos. Segundo os especialistas, os remédios que dissolvem os cálculos só são eficazes contra pedras de puro colesterol, enquanto a maioria presente é de cálculos mistos (colesterol e cálcio). Além disso, esse tipo de medicamento resolve apenas 30% dos casos, sendo ineficaz para os demais. Outra consideração é que eles não evitam que o problema volte a aparecer e são necessários para o resto da vida.
Com informações Albert Einstein