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Desenvolvida em 1921 por Léon Calmette e Alphonse Guérin, a vacina BCG (Bacilo Calmette Guérin) é uma antiga e poderosa ferramenta na prevenção contra as principais formas graves da tuberculose. Embora a tuberculose ainda não seja uma doença erradicada no país, pode-se observar historicamente uma queda importante nos casos graves da doença, principalmente em crianças e recém-nascidos de países que aplicam essa vacina. Além disso, ela não previne somente a tuberculose pulmonar, mas também ajuda a prevenir as outras manifestações da tuberculose, como a dos ossos, rins, meninges (revestimento que protege o cérebro), entre outros, além de contribuir na prevenção da hanseníase!

O primeiro uso da vacina ocorreu em 1921, em uma criança recém-nascida cuja mãe era portadora de tuberculose. No Brasil, a vacina BCG começou a ser aplicada em 1927. O Ministério da Saúde tornou obrigatória a aplicação da vacina BCG em 1976. Essa ação de grande mobilização social tem como objetivo combater a tuberculose, doença ainda muito presente mas que ainda pode ser erradicada no país e no mundo.

QUAIS SÃO AS INDICAÇÕES DA VACINA BCG?

Recomendação: dose única ao nascer.

A aplicação é feita via intradérmica, preferencialmente no braço direito.

Todas as crianças até 4 (quatro) anos de vida, de preferência nas primeiras 12 horas de vida;

Recém-nascidos em contato com indivíduos com tuberculose pulmonar ativa deverão ser vacinados somente após o tratamento da infecção latente da tuberculose ou após quimioprofilaxia (tratamento medicamentoso para reduz risco de desenvolver as formas graves);

Contatos intradomiciliares de hanseníase (indicações específicas);

Crianças expostas ao HIV (indicações específicas).

CONTRAINDICAÇÕES DA VACINA BCG

Pessoas com imunodeficiências primárias ou adquiridas;

Pessoas com câncer;

Pacientes em tratamento com corticoides em doses elevadas;

Pacientes com outras terapias imunossupressoras;

Gestantes.

TUBERCULOSE

A tuberculose é uma doença infecciosa causada por bactérias do complexo Mycobacterium tuberculosis (ao todo, sete espécies), que pode acometer vários órgãos, sendo a forma pulmonar a mais frequente e relevante.

A transmissão ocorre pela via aérea, a partir de uma pessoa infectada pela tuberculose pulmonar ou laríngea, por meio de aerossóis exalados durante a tosse, fala ou espirro. Porém, quando essas bactérias se depositam em superfícies, dificilmente se dispersam em aerossóis e, por isso, reduzem o seu potencial de transmissão. Outras formas de transmissão, como a pele ou via placenta, são raras.

O risco de adoecimento (progressão para a tuberculose ativa) depende, principalmente, da condição do sistema imune de cada indivíduo. Estima-se que apenas 10% das pessoas infectadas acabem adoecendo (5% nos dois primeiros anos que se sucedem a infecção e 5% ao longo da vida). Contudo, a doença pode permanecer silenciosamente no organismo por muitos anos até a ocorrência de sua reativação, por isso a importância de se rastrear a tuberculose em sua fase latente.

A tuberculose é uma doença que merece atenção especial. Mesmo com aplicação gratuita da vacina BCG pelo SUS (Sisteme Único de Saúde), vale lembrar que ela não é capaz de fornecer proteção a todos os tipos de tuberculose e deve, portanto, ser uma medida adicional às demais, como: avaliação e tratamento de todos os indivíduos com a doença e também daqueles que tiveram contato com a pessoa infectada. O destaque no controle da doença é a adesão ao tratamento e ao acompanhamento do doente, visto que seu tratamento farmacológico é de longa duração, mas oferece cura.

Vale lembrar que todo o tratamento da tuberculose é disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas é essencial que o paciente esteja comprometido em completar o ciclo de tratamento adequadamente. Os sintomas são conhecidos, o diagnóstico é clássico e o tratamento é muito bem organizado, mas somente com a adesão do paciente é que podemos controlar a doença a ponto de erradicá-la do Brasil e do mundo.

Referências

Ministério da Saúde, Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação

Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM)

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)