A febre é uma elevação normal da temperatura do organismo que ocorre como fator de proteção contra uma infecção. A infecção gera a liberação de células inflamatórias que agem no hipotálamo, levando ao aumento da temperatura.
A temperatura elevada aumenta o metabolismo do organismo, o que teoricamente é uma reação que favoreceria a eliminação da infecção. No entanto, nem sempre a febre é suficiente para acabar com a infecção, e em crianças a febre gera muito mal-estar, fraqueza (prostração), falta de apetite e dor de cabeça (cefaleia).
A elevação aguda da temperatura pode causar convulsão febril, que pode ser potencialmente grave, em crianças predispostas, portanto os médicos recomendam tratar com antitérmicos a febre acima de 37,8 C.
Veja as infecções que costumam causar febres e são comuns em crianças.
Gripe (influenza)
A gripe é uma infecção causada pelo vírus influenza e costuma causar sintomas como congestão nasal, mal-estar, dor no corpo e de cabeça e febre alta (acima de 38ºC). Também podem surgir dor de garganta e tosse seca.
No geral, a gripe é uma doença autolimitada, que passa sozinha em torno de 5 a 7 dias. O tratamento deve ser de suporte, com analgésicos, antitérmicos, repouso e hidratação.
Para evitar a gripe, que ocorre principalmente nos meses mais frios, são necessárias medidas de higiene simples: cobrir a boca quando tossir ou espirrar (para evitar a disseminação maior de partículas que carregam os vírus) e manter as mãos limpas (lavá-las com água e sabão) para evitar eventual transmissão por contato. Também é importante manter o ambiente arejado e evitar ficar em locais fechados com muitas aglomeração de pessoas.
É preciso ressaltar que gripes e resfriados são doenças diferentes. Embora tenham alguns sintomas semelhantes, o resfriado não é causado pelo vírus influenza, e em geral não causa febre (quando há febre, ela é baixa), seus sintomas são mais leves e tendem a passar em cerca de 2 a 4 dias.
O Ministério da Saúde recomenda a vacinação anual de crianças de 6 meses a 5 anos incompletos. A vacina é oferecida gratuitamente para essa faixa etária pelo SUS.
Gastroenterocolite aguda (GECA)
As gastroenterolocolites agudas são popularmente conhecidas como “viroses“, um termo que não tem significado técnico em medicina. Em geral são causadas por um vírus, mais comumente os rotavírus.
Os sintomas mais frequentes são diarreia aguda, em geral aquosa (líquida), vômitos, febre e mal-estar. Em geral, são autolimitadas e benignas, ou seja, passam sozinhas e não deixam sequelas. Em casos mais graves, podem causar desidratação.
Os rotavírus (existem vários tipos) são transmitidos por via fecal-oral, pelo contato direto entre as pessoas e por utensílios, brinquedos, água e alimentos contaminados, portanto medidas de higiene básica devem ser adotadas. Lave as mãos cuidadosamente e com frequência, especialmente depois de usar o banheiro e de trocar as fraldas das crianças, antes das refeições e quando for preparar os alimentos; lave bem e deixe mergulhados em solução desinfetante frutas e legumes que vão ser ingeridos crus; use água tratada para beber e no preparo dos alimentos.
O Ministério da Saúde recomenda a vacina para rotavírus humano G1P1 (atenuada) em crianças menores de 6 meses. O esquema de vacinação é de duas doses exclusivamente por via oral, sendo a primeira aos 2 meses e a segunda aos 4 meses de idade com intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
As GECAs também podem ser causadas por bactérias, como Salmonella sp e Escherichia colli, que costumam ser contraídas via alimentos ou água contaminados. Nesses casos, pode ser necessário o uso de antibióticos.
Se o paciente apresentar diarreia muito intensa, fezes com sangue, muita dor abdominal, febre alta e sintomas de desidratação como taquicardia, boca seca e dor de cabeça, é preciso procurar ajuda médica.
Com informações: Drauzio Varela