Engana-se quem pensa que os problemas na coluna são sinais inerentes ao avanço da idade. No final da infância e início da adolescência, coincidindo com a fase de crescimento, aproximadamente aos 10 ou 12 anos, duas condições podem prejudicar a qualidade de vida dos jovens: a cifose e a escoliose, esta última a mais comum.
Porém, diferentemente do que os pais possam acreditar, nenhuma das duas condições é causada pelas mochilas pesadas que muitas vezes eles carregam nos ombros. São o que chamamos de condições idiopáticas, ou seja, acontecem sem causa específica, embora exista uma relação familiar. Não podemos dizer que é congênita, mas sim que existe uma tendência.
As causas da escoliose e da cifose são diversas e podem variar de erros de formação nas vértebras e assimetria da musculatura a problemas neurológicos. Atentos ao crescimento dos filhos, os pais podem ser os primeiros a perceber a alteração na coluna. Os professores também podem notar, principalmente os de Educação Física, porque estão em contato com o aluno quando ele está em movimento.
Observando uma pessoa de costas, a coluna normal deve ser reta e, quando vista de lado, deve ter uma curvatura próxima ao pescoço e outra na região lombar. No entanto, no caso da escoliose, ao observar uma pessoa de costas o que se vê é um desvio da coluna para a esquerda ou direita, como se ela estivesse girando. As costelas vão para um dos lados, como se formassem um “S”. A prevalência da doença na população mundial é de 2% a 3%, índice relativamente alto, e costuma ser mais comum em meninas, na proporção de uma a cada cinco meninos.
Mas apenas 1% de todos os casos são graves. Curvaturas de até 15° são benignas, sendo necessário apenas observar se ocorre alguma evolução. Para curvas de 15° a 30° é preciso mais atenção, pois podem piorar. Acima desse valor o tratamento é indicado, podendo ser até ser cirúrgico nos casos acima de 50°.
Já a cifose (condição conhecida popularmente como corcunda) é mais frequente entre os meninos: eles são três vezes mais acometidos do que elas. Identificá-la é mais simples: ao ser vista de lado, a coluna apresenta uma curva acentuada na região torácica. De 20° a 40° a curvatura é considerada dentro da normalidade, mas deve ser observada. De 40° a 60° a condição deve ser acompanhada por um médico e acima disso é necessário tratar. Existe uma chance de 70% de a situação piorar, então todas essas alterações devem ser acompanhas.
A radiografia ainda é o melhor exame para o diagnóstico da cifose ou da escoliose. Nos casos em que uma alteração na medula possa ser a causa desses distúrbios, de 15% a 30% dos casos é necessário fazer uma ressonância magnética. Qualquer assimetria deve ser investigada, já que a evolução é rápida, assim como o processo de crescimento.
Tratamento
O primeiro passo é observar a evolução ou não do quadro. Por isso, os especialistas recomendam o acompanhamento clínico trimestral, embora desaconselhem que a radiografia seja realizada com a mesma periodicidade. Nos casos de piora, a opção mais indicada é a fisioterapia para fortalecimento postural ou uso de colete ortopédico. Para isso, a decisão do médico levará em conta o grau de deformidade e o quanto aquele adolescente ainda tem para crescer.
A escoliose, em específico, quando não tratada, pode levar à insuficiência respiratória, já que a capacidade pulmonar fica reduzida.
Recomendação médica
Quando diagnosticadas alguma dessas condições, o acompanhamento médico deve ser realizado periodicamente, a cada quatro ou seis meses, durante toda a fase de crescimento. Depois disso, ele pode ser anual.
Para evitar problemas futuros os especialistas indicam ainda uma avaliação clínica a partir dos nove anos. Além disso, os próprios pais podem verificar periodicamente se há algum problema. Basta colocar a criança ou o adolescente de pé e pedir que encoste os dedos das mãos no pé. A coluna fica evidente e qualquer alteração também.
Fonte: Albert Einstein