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A automedicação representa um perigo em qualquer circunstância de doença. No caso específico da dengue, há uma preocupação adicional.

A dengue causa uma redução significativa no número de plaquetas no sangue, células responsáveis pela coagulação, um processo essencial para reparar vasos sanguíneos, conter hemorragias e cicatrizar feridas. Além dos sintomas típicos da dengue, como febre e dores musculares, muitos dos medicamentos comumente usados para aliviar esses sintomas também afetam a coagulação sanguínea, tornando-a mais "afinada". Isso inclui medicamentos como aspirina e AAS.

A aspirina, por exemplo, ao aliviar a dor, inibe a produção de prostaglandinas, substâncias que desempenham um papel fundamental tanto na percepção da dor quanto na formação de coágulos. Portanto, quando as prostaglandinas não são produzidas em quantidade suficiente, o processo de coagulação pode ser comprometido. Isso aumenta significativamente o risco de hemorragias graves, especialmente se a coagulação já estiver prejudicada pela dengue.

Além disso, outros medicamentos, como anti-inflamatórios e corticoides, também são desaconselhados, assim como a ivermectina, cujo uso para a dengue foi promovido por meio de informações falsas na internet.

A automedicação em casos de dengue pode ser fatal, especialmente quando combinada com a própria evolução grave da doença em algumas pessoas. Por isso, é crucial procurar assistência médica se houver suspeita de dengue. Somente um profissional de saúde poderá avaliar adequadamente o caso e fornecer o tratamento necessário.

Após o diagnóstico, é recomendável realizar exames como o teste sorológico e hemograma para monitorar a progressão da doença e prevenir complicações graves.