O descolamento prematuro de placenta também conhecido como placenta abrupta , ocorre quando a placenta se separa da parede do útero antes do parto, normalmente após 20 semanas de gestação  . Pode acontecer durante a maior parte da gravidez, mas é mais frequente entre a 24ª e 26ª semana  , e sua incidência é estimada entre 0,2% e 1% das gestações.
Diferentemente do descolamento ovular (que ocorre no início da gravidez, antes das 20 semanas), este envolve a placenta propriamente dita.
Esse descolamento pode comprometer o suprimento de oxigênio e nutrientes ao feto, além de causar sangramento intenso na gestante, representando risco gravíssimo para ambos.
Os principais sintomas incluem:
• Dor intensa e persistente no abdômen, que pode irradiar para as costas;
• Contrações uterinas frequentes;
• Sangramento vaginal, que às vezes não é visível pois o sangue pode ficar retido atrás da placenta.
Alguns casos podem ser discretos (grau leve), com sintomas suaves ou até ausentes, enquanto os mais graves podem causar choque hemorrágico, sofrimento fetal e até morte de mãe ou bebê.
O diagnóstico é clínico, com base nos sintomas, história obstétrica e exame físico. Ultrassonografia e exames laboratoriais (hemograma, coagulação, cardiotocografia) ajudam a confirmar a suspeita, embora o descolamento nem sempre apareça ao ultrassom.
O DPP é classificado em graus, de acordo com a gravidade:
• Grau 0 (leve, assintomático): detectado apenas após o parto por exame da placenta.
• Grau 1 (leve): sangramento discreto, sem sofrimento fetal .
• Grau 2 (moderado): sangramento moderado, dor, alterações da pressão e risco fetal.
• Grau 3 (grave): sangramento intenso ou oculto, choque materno, sofrimento ou morte fetal.
Dependendo da gravidade e da idade gestacional, as abordagens podem variar:
• Casos leves e gestação ainda precoce (< 34–37 semanas): internação, repouso, hidratação, monitoramento materno-fetal, e administração de corticosteroides para acelerar a maturação pulmonar do bebê.
• Casos moderados a graves, ou quando a mãe ou o feto estão em risco, ou com idade gestacional avançada, o tratamento imediato com parto é indicado, via vaginal (se possível) ou cesariana de emergência.
•Complicações sérias como sangramento incontrolável podem requerer transfusão de sangue ou até histerectomia de emergência.
As causas não são totalmente conhecidas, mas fatores de risco são bem estabelecidos:
• Hipertensão (pré-eclâmpsia);
• Idade materna avançada (≥ 35 anos);
• Trauma abdominal (acidente, queda, agressão);
• Tabagismo ou uso de cocaína;
• Histórico de DPP em gestação anterior;
• Gravidez múltipla, ruptura prematura de membranas, excesso de líquido amniótico, trombofilias.
O descolamento prematuro de placenta é uma emergência obstétrica séria, que pode ocorrer principalmente a partir do 2º trimestre, com pico entre as 24 e 26 semanas, e também mais próximo ao parto. Quando leve, permite monitoramento e manejo conservador. Mas nos casos moderados a graves, muitas vezes é necessário um parto urgente para proteger a vida da mãe e do bebê. O diagnóstico precoce e o atendimento rápido são cruciais para um bom desfecho.