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No Brasil, os distúrbios da tireoide estão entre os mais frequentes, especialmente entre mulheres. Em um estudo com idosos de São Paulo, 5,7 % apresentaram hipotireoidismo clínico e 6,5 % hipotireoidismo subclínico; já o hipertireoidismo clínico afetou 0,7 % e o subclínico, 2,4 % da população avaliada. Outro levantamento nacional (ELSA-Brasil) mostrou prevalência de hipotireoidismo clínico em 7,4 % das pessoas e subclínico em 5,4 %; hipertireoidismo subclínico atingiu 1,3 % e o clínico, 0,7 %. A tendência aponta que o hipotireoidismo, em especial, é o distúrbio mais comum.

O hipotireoidismo, condição na qual a tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente, é o mais prevalente no país. Suas principais causas incluem doenças autoimunes como a tireoidite de Hashimoto e, em casos específicos, deficiência de iodo, embora essa seja menos comum atualmente no Brasil. Essa deficiência hormonal pode levar à fadiga, ganho de peso, pele seca e alterações menstruais, além de impactar a qualidade de vida de forma significativa quando não tratado adequadamente.

Já o hipertireoidismo, caracterizado pela produção excessiva de hormônios, é menos frequente, representando cerca de 0,7 % dos casos clínicos. A causa mais comum dessa condição é a doença de Graves, uma enfermidade autoimune que estimula a produção excessiva de hormônios e pode causar sintomas como perda de peso, ansiedade, palpitações e olhos inchados. Embora seja menos prevalente, seu impacto também pode ser bastante severo se não for diagnosticado a tempo.

Além dos dois distúrbios principais, outros problemas da tireoide merecem atenção. A tireoidite é uma inflamação que pode alternar entre fases de produção excessiva e baixa de hormônios. Os nódulos e o bócio, caracterizados pelo aumento da glândula ou crescimento de tecidos, também são comuns, em sua maioria benignos, mas que necessitam acompanhamento médico para afastar riscos de complicações. Já o câncer de tireoide, apesar de menos frequente em relação a outros tipos de câncer, é o mais comum entre os cânceres endócrinos e tem apresentado aumento na incidência no Brasil.

Os sintomas variam bastante conforme o distúrbio. O hipotireoidismo costuma provocar fadiga, ganho de peso, frio excessivo, constipação e até depressão, enquanto o hipertireoidismo se manifesta por perda de peso, aumento do apetite, suor em excesso, nervosismo, diarreia e palpitações. O diagnóstico é feito principalmente por exames de sangue que medem os níveis de TSH, T3 e T4, podendo incluir exames de imagem ou biópsia, quando necessário.

O tratamento depende do tipo de distúrbio diagnosticado. O hipotireoidismo normalmente é tratado com reposição hormonal, enquanto o hipertireoidismo pode exigir medicamentos antitireoidianos, iodo radioativo ou até cirurgia nos casos mais severos. A detecção precoce é fundamental, já que muitos pacientes podem ser assintomáticos ou apresentar sinais sutis. No Brasil, estima-se que uma parcela significativa da população conviva com alterações da tireoide sem saber, reforçando a importância da atenção aos sinais e da realização de exames regulares.