A lavagem nasal ajuda a remover o excesso de muco e partículas, além de hidratar a mucosa do nariz. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o procedimento pode ser útil em quadros como resfriados, rinites e rinossinusites, principalmente quando a congestão nasal dificulta a respiração, a alimentação ou o sono da criança.
A orientação é utilizar solução salina apropriada, como soro fisiológico 0,9%, e um dispositivo adequado à idade. Em bebês menores de seis meses, a SBP indica preferencialmente conta-gotas ou sprays para umidificar a mucosa e permitir uma adaptação gradual. Em crianças maiores, podem ser usados seringa ou frasco de alto volume, desde que haja orientação e controle cuidadoso da pressão.
Para fazer a lavagem, o responsável deve higienizar as mãos e posicionar a criança de acordo com a técnica indicada para sua idade e para o dispositivo utilizado. Quando estiver sentada ou em pé, ela pode manter o tronco levemente inclinado para a frente e a boca aberta, respirando pela boca. A solução deve ser aplicada delicadamente, sem pressionar o aplicador com força.
O volume e a frequência variam conforme a idade, a tolerância da criança e o quadro clínico. A SBP informa que ainda não existe consenso sobre um único método, volume ou período de tratamento ideal para todas as crianças. Em algumas situações, a lavagem pode ser realizada duas ou três vezes ao dia, mas a recomendação do pediatra deve prevalecer, especialmente para recém-nascidos e lactentes.
Embora seja considerada segura, a prática pode provocar desconforto, ardência, coceira, lacrimejamento, sangramento nasal, dor de ouvido ou dor de cabeça. A aplicação deve ser interrompida se a criança demonstrar dor intensa, engasgar, apresentar sangramento persistente ou reclamar de incômodo no ouvido. Também não se deve forçá-la quando houver muita resistência.
A avaliação do pediatra é importante quando a obstrução nasal é intensa ou prolongada, há dificuldade para respirar ou mamar, febre persistente, secreção com mau cheiro ou piora do estado geral. A lavagem nasal ajuda a limpar e hidratar o nariz, mas não substitui o diagnóstico nem o tratamento da causa dos sintomas. Medicamentos só devem ser acrescentados à solução quando houver prescrição profissional.