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O sangue é um elemento indispensável à vida. Sem ele, seríamos incapazes de oxigenar e nutrir nosso corpo, e morreríamos. Não existe nada que substitua esse nosso tecido líquido.

O sangue das pessoas saudáveis é constantemente renovado, conforme a necessidade do organismo. A perda de sangue que ocorre na doação é reposta em pouco tempo. Elas são plenamente capazes de doar, e sua atitude generosa pode salvar não apenas uma, mas três vidas. Isso porque o sangue colhido do doador é fracionado em três componentes: as plaquetas, as hemácias e o plasma, cada um com um destinatário diverso.

São muitos os casos em que é preciso recorrer ao banco de sangue: transplantes, grandes cirurgias e vítimas de acidentes precisam de transfusão. Portadores de doenças graves cujo organismo não é capaz de produzir as células sanguíneas necessárias, seja por deficiência natural, seja por tratamento que bloqueia sua produção, como a quimioterapia, também precisam de transfusões sanguíneas para sobreviver. Nesta categoria se enquadram algumas doenças do sangue, portadores de câncer diversos e de leucemia.

O doador espontâneo não sabe quem será o receptor do seu sangue, mas sabe que sua atitude é fundamental para salvar vidas. Sabe inclusive que um dia pode necessitar de sangue de outros. Por isso precisamos criar a consciência da necessidade de doar sangue entre as pessoas. Em outros países ela já é bem desenvolvida, e as pessoas, conscientes de sua responsabilidade social, desenvolvem o hábito de doar sangue.

Doadores de sangue são pessoas especiais, movidas pelo desejo de ajudar pessoas que muitas vezes não conhecem. Ao dedicar parte do seu tempo (45 minutos) para doar um pouco de seu sangue, o doador ajuda a salvar a vida de até três pacientes diferentes.

Os homens pode doar seu sangue até 4 vezes ao ano, com um intervalo de 60 dias entre cada doação, e as mulheres 3 vezes, com intervalo de 90 dias. Já no caso da doação de plaquetas por aférese, tanto homens como mulheres podem doar até 4 vezes por mês e 24 vezes por ano, com um descanso mínimo de 72h entre cada doação.

Aqui seguem alguns pré-requisitos para a doação de sangue:
• Estar em boas condições de saúde e descanso
• Ter entre 18 e 65 anos
• Pesar no mínimo 50kg
• Estar alimentado, evitando ingerir alimentos gordurosos
• Apresentar documento oficial de identidade com foto.

Doei meu sangue, onde ele vai parar? Essa é uma dúvida comum. É claro que o sangue não vai direto da veia do doador para a do receptor. Ele segue um 'fluxo do sangue', que visa torná-lo adequado e seguro para o paciente que precisa dele.

A primeira etapa da coleta de sangue é a triagem, realizada no próprio local de doação. Cada potencial doador passa por alguns exames, como a pesagem, verificação de pressão e teste de anemia, para avaliar seu estado de saúde. Além disso, é entrevistado por um médico através de um questionário com perguntas baseadas na lei, que ajudam na avaliação do estado de saúde do doador e seu comportamento.

A seguir é feita a coleta de sangue por meio de uma agulha inserida em uma veia no braço. O sangue coletado (470 ml no máximo, depende do peso do doador) é armazenado em uma bolsa individual. Acabou o trabalho do doador: ele pode comer um lanche, descansar um pouco e ir para a casa.

Na terceira etapa é que começa o trabalho laboratorial do banco de sangue: a separação em uma centrífuga de seus componentes em três porções menores, o plasma, o concentrado de plaquetas e o concentrado de hemácias. Antes de ser fracionado, as bolsas são submetidas a testes sorológicos.

Nesta etapa é que são detectadas doenças que o doador possa ter e que comprometem o sangue, como hepatite B e C, sífilis, HIV, HTLV I e II e doença de Chagas.

As bolsas com resultados negativos para todas doenças estão enfim prontas para uso. Cada hemocomponente possui uma validade particular. As plaquetas duram 5 dias e ficam em temperatura de +22ºC até- 2ºC, precisando de agitação constante. O plasma dura 1 ano e é conservado a - 30ºC. Já as hemácias são armazenadas por até 42 dias em temperaturas de +4ºC a - 2ºC.

Quando surge uma necessidade de transfusão, é feita novamente uma bateria de testes, desta vez com o receptor. A enfermagem colhe uma amostra de sangue do paciente e realiza nele testes imunohematológicos. A partir dos resultados, o sangue compatível é retirado do banco de sangue e é feita a transfusão.

Existem também alguns impedimentos temporários, que cessam logo que deixam de existir:
• Estar com gripe ou febre
• Estar grávida ou amamentando
• Ingestão de bebida alcoólica no dia da doação
• Ter feito tatuagem ou piercing sem condições de avaliação de higiene há menos de um ano.
• Comportamento de risco para doenças sexualmente transmissíveis
• O doador de plaquetas não pode ter ingerido AAS, aspirina ou anti-inflamatório há pelo menos uma semana.

Pessoas impedidas definitivamente de doar sangue são aquelas:
• Com doença de Chagas e malária
• Que tiveram hepatite após os 10 anos de idade
• Com histórico de doenças transmissíveis pelo sangue, como sífilis, doenças associadas ao HTLV I/II e AIDS.

Restrições a doação
Algumas vacinas impedem a doação de sangue imediata e exigem que o doador espere um período até poder doar, isso ocorre por essas vacinas poderem influenciar nos resultados de exames futuros ou comprometer a saúde tanto do doador quanto de quem receberá o sangue.

Quem tomar a vacina preparada com vírus ou bactéria mortos, toxóide ou recombinantes devem ficar 48hs sem doar sangue. Veja os exemplos:
- Cólera
- Poliomielite (SALK)
- Difteria
- Tétano
- Febre tifóide
- Meningite
- Coqueluche
- Pneumococo

A vacina de vírus ou bactérias vivos e atenuados exige intervalo de quatro semanas para realizar doação de sangue. Veja os exemplos:
- Poliomielite Oral
- Febre tifóide oral
- Caxumba
- Febre amarela
- Sarampo
- BCG
- Rubéola
- Catapora
- Varíola

Vacinação anti-rábica após exposição animal exige período mínimo de 01 ano para a doação de sangue.